Obras

Análise do projeto estrutural

Rio de Janeiro 27 de agosto de 1999.

Análise do projeto estrutural dos prédios Villa Borghese, à Rua Cel. Paulo Malta Rezende, 180 e San Filippo à Avenida "B", 440.

1) INTRODUÇÃO

Em visita às obras contata-se que o Edifício San Marco até o 5o e o Edifício San Filippo até o 9º . Todos os subsolos estão parcialmente executados.

Em ambos, o que mais se destaca é a aparente ausência de um sistema de enrijecimento que faça face aos esforços horizontais.

As estruturas são constituidas de pilares e laje lisa nervurada, havendo poucas vigas de amarração o que significa provavelmente pouca rigidez a esforços horizontais.

A solução para atender tal exigência costuma ser a utilização da caixa de elevadores e da escada cujo enrigecimento traz a necessária resistência aos inevitáveis desaprumos de construção e à ação do vento.

Assim, suspeitando-se conforme acima já registrado da ausência ou deficiência de um tal sistema estrutural resolveu-se analisar os projetos com o objetivo de se avaliar seu grau de estabilidade.

2) AÇÃO DO VENTO

Pela Norma Brasileira a velocidade básica do vento no Rio de Janeiro é de 35 m/s medida a 10 m de altura em terreno plano.

A Norma Brasileira distingue a rugosidade do terreno e as dimensões da estrutura para o que utiliza diversos coeficientes.

Para os edifícios em questão, estes coeficientes devem ser calculados considerando-se a rugosidade IV da Norma Brasileira ( consideração favorável ) e uma edificação classe C.

Com isto chegou-se a pressões básicas de 0,48 KN/m² a 74 m. aumentando até 0,81 KN/m² a 74 m.

Com vento soprando sobre a fachada maior, a ação total do vento é de 2.217 KN aplicada a 42,5 m de altura.

Com vento soprando sobre a fachada menor, a ação total do vento é de 1.122 KN aplicada a 42,5 m de altura.

Como se vê, reforços apreciáveis.

Para cada uma das duas direções, considerando-se pórticos constituidos de pilares e vigas rigidamente ligados ou mesmo pilares e lajes quando estas de pequeno vão.

Levados os dados acima colhidos, ao computador e submetidos ao programa GT-STRUDL, verificou-se que os esforços nos pilares são bem suportados, Já as vigas de contraventamento tem amarração deficiente comprometendo o funcionamento em pórtico do sistema.


3) PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS

a) Na direção transversal do prédio:

Melhorar a ligação das vigas nos pilares reforçando assim 8 dos pórticos analisados ( que apresentam deficiências ) e criando duas paredes nos poços dos 4 elevadores das extremidades dos prédios.

b) Na direção longitudinal:

Devido a deficiência dos pórticos pareceu-nos mais simples enrijecer o poço dos dois elevadores centrais criando uma parede que amarre os pilares existentes. Além disso propõe-se a execução de um sistema de contraventamento entre os pilares das caixas dos elevadores das extremidades com os pilares confrontantes, aproveitando as paredes de alvenaria previstas ( serão quatro contraventamentos ).

Na parte da estrutura a ser executada, serão introduzidas armaduras adicionais para combater adequadamente os esforços horizontais.


Atenciosamente


Carlos Alberto Fragelli

Munir Calil Jabur